sexta-feira, 3 de dezembro de 2010


Nenhuma sabedoria, nenhuma explicação, nenhuma maturidade intelectual nos livra do sofrimento provocado pela ruptura de um vínculo amoroso.
Pois o que dói não é só a perda do objeto de amor: lamentamos o aborto de um projeto, a renúncia de um sonho. Choramos, acima de tudo, a dor da ferida narcísica, o espelho partido, que já não nos devolve a imagem como gostamos de nos ver refletidos.
Não agüentamos sentir a diferença instalada no olhar do parceiro – que antes confirmava o afeto, reafirmando a Vida; e agora congela a distância, condenando à Morte.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010


Quando você está solteira, você deseja um namorado bacanérrimo,
inveja todos os casais que vê pela frente,fica com um monte de caras cheirosos,deliciosos e canalhas,
sai pra lá e pra cá com suas amigas malucas que obviamente te divertem e acaba com um discurso manjado
de como está difícil achar alguém legal pra dividir a vida, dividir os medos, o café da manhã, as contas e o tédio de domingo.
E o blábláblá não acaba…
Nós somos poderosas, evoluídas,revolucionárias, os pobres-coitados são sempre culpados.
E vamos descer a lenha: tem que ser muito homem pra ficar com uma mulher como você,
independente, linda, engraçada,com texto forte, personalidade e corpão.
Mentira minha?
Tire a culpa da sua bolsa, jogue em cima do rapaz, cara paleozóico,
que só quer uma figura dócil para afirmar sua masculinidade, fazer bonito na frente dos outros
e poder dispensar as outras lindas e interessantes que aparecerem com a frase mais usada no mundo: “sabe o que é? Eu tenho namorada!”.
“Hã?”, você pergunta incrédula.
O canalha tem namorada,e você chora pelo babaca, diz que os homens são todos iguais,
nunca mais vai se apaixonar de novo se embola com namoros virtuais
e não entende porque só atrai gente problemática.
Você se reconheceu em alguma palavra até aqui? Sinto dizer, é a vida.
Mas como o mundo dá voltas e um dia é da caça e o outro do caçador,
uma certa hora todo esse material maravilhoso que você é se depara com uma pessoa incrível que te faz acreditar que amor não é marketing,
nem invenção de Shakespeare.
E você se sente abençoada, agradece aos céus por achar um cara tão sensível e vocês vivem felizes para sempre.
Felizes e apaixonados até constatarem o óbvio: ninguém é perfeito.
Aí meu bem, começa um outro discurso. Nem melhor nem pior, mas diferente.
É reclamação que não acaba, a velha saudade da vida de solteira que bate,
aquele defeito charmoso dele agora faz você ficar louca. Louca, não, louquíssima.
E você sente falta de acordar sozinha, sente falta do seu espaço,
sente falta das suas amigas e das noites divertidas e vazias que vocês passavam,
sente falta de não ter que ligar e dar explicação de onde você estava e o pior: começa aachar graça naquele cara que você nunca achou a menor graça.
Mentira minha? Pois é.
Solteiros, casados, juntados, a questão não é o estado civil, mas a sensação que volta-e-meia volta: nunca estamos satisfeitos.
A vida é feita de escolhas e em cada escolha há uma perda. E perder dói.
Se você se sente plenamente realizado todos os dias com alguém que você convive há muito tempo,parabéns, eu não conheço ninguém igual a você.
Porque não é fácil ficar sozinho, não é fácil viver com alguém, mesmo que seja o grande amor da sua vida.
Conviver é uma arte complicada. Haja tolerância, paciência e jogo de cintura para agüentar nossos defeitos e os do outro.
Viver sozinho também não é mole. Haja sabedoria para estar só e se sentir sempre empaz.
Mas como nada nunca é perfeito, penso que a única saída é aproveitar cada momento e aceitar a realidade como um presente.
Porque perfeito mesmo só a imperfeição. Que faz ter sentido até o que não se explica.

sábado, 9 de outubro de 2010

Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja

domingo, 15 de agosto de 2010

Onde estão nossos sentimentos





Percebo que nossos sentimentos estão ocultos com medo de mostrar-se, somos nós nos resguardando de sentir, de mostrar nosso lado sensível. Sim, porque quando amamos de fato, ficamos tontos...uma tontura enebriante, boa, cheia de expectativas. Mas e o medo de amar só? Queremos respostas a esses sentimentos, e às vezes não é a resposta que desejamos. Paralizemos então nossos sentimentos?
Claro que não! Quantas vezes amaremos? Quantas vezes forem necessárias, quantas nossos corações permitirem. Amaremos sempre, todos os dias, minutos, pois é coração que pulsa, que pede emoção.
Não resisto ao amor, deixo ele chegar e o recebo bem, pois diga para mim: é ou não prazeroso sentir o tic tac de nosso coração batendo por um alguém?
Vamos amar sem medo, sem culpa, mas sem ser leviano com o coração do outro, vamos amar sincero e cheios de naturalidade. E se não for seu amor oque pensava ser, valeu viver, sentir.
Nossos sentimentos estão bem guardadinhos dentro de nós, vamos expô-lo, assim acharemos nosso sentir e só nos fará bem.
Acredite! Amar dá certo e sempre dará. É o presente projetando ao futuro.

Amemos sempre!

Carmi

domingo, 8 de agosto de 2010

Te olho nos olhos




Te olho nos olhos e você reclama
Que te olho muito profundamente.

Desculpa,
Tudo que vivi foi profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando...
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.

Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.

Até onde posso ir para te resgatar?

Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade...
De me inventar de novo.

Desculpa...se te olho profundamente,
Rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais...
Nos seus traços.

A ponto de ver a estrada...
Muito antes dos seus passos.

Eu não vou separar as minhas vitórias
Dos meus fracassos!

Eu não vou renunciar a mim;

Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.

Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente."

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Eu Gosto




Eu gosto quando o sangue ferve
Quando o corpo estremece sem parar
Gosto daquele que me come com o olhar
Que devora com palavras que sussurra no ouvido



Eu gosto quando o tempero é apimentado
Quando as frases são ditas sem calma nenhuma
Gosto do tumulto de sentimentos que afloram na pele
Que deixam marcas e cicatrizes profundas pelo corpo



Eu gosto quando a voz fica trêmula
Quando o cheiro de paixão se dispersa no ar



Eu gosto quando o desejo é mais forte
Quando o sentimento teima em vencer a razão
Gosto de pensar milhares de formas
Que inspiram as minhas fantasias



Eu gosto quando o corpo não se controla
Quando a loucura consegue vencer o correto
Gosto de ficar viva
Pois só assim consigo mudar o sonho
para a realidade.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Amor



Amar...Desamar...Amar...Como podemos gostar tando de alguém e sofrer tanto...Como podemos amar tanto uma pessoa, mesmo sabendo que nunca daria certo...Mas o sentimento chega sem pedir licença e quando percebemos, já está aí, dentro da gente.
Vai falar com o coração: não vai dar certo, somos diferentes, esqueça esse aí, vamos procurar outro menos complicado, que pense como a gente. Não adianta, ele não escuta! Nem está aí pro que a gente pensa. Só quer saber de amar e amar...Aí que gente sofre e sofre...Porque só amor, isso mesmo, somente amor, não é garantia que um relacionamento vá dar certo.Outras coisas estão em jogo, e fazem a diferença. E mesmo sabendo que não é essa a pessoa com quem sonhamos, não deixamos de amá-la...E é aí que a gente sofre...Tantos conflitos, desentendimentos, e passamos por cima de quase tudo pra não sofrer com a separação...E é aí que a gente sofre...Até o dia em que chega o limite, e o orgulho e a razão, que estavam lá no fundo, escondidinhos, se revelam. E é a hora do fim... A dor é tamanha, que é quase palpável, física. O chão se abre, e a gente se perde por esse poço vazio. E é aí que a gente sofre...

Bárbara de Menezes Couto