segunda-feira, 29 de novembro de 2010


Quando você está solteira, você deseja um namorado bacanérrimo,
inveja todos os casais que vê pela frente,fica com um monte de caras cheirosos,deliciosos e canalhas,
sai pra lá e pra cá com suas amigas malucas que obviamente te divertem e acaba com um discurso manjado
de como está difícil achar alguém legal pra dividir a vida, dividir os medos, o café da manhã, as contas e o tédio de domingo.
E o blábláblá não acaba…
Nós somos poderosas, evoluídas,revolucionárias, os pobres-coitados são sempre culpados.
E vamos descer a lenha: tem que ser muito homem pra ficar com uma mulher como você,
independente, linda, engraçada,com texto forte, personalidade e corpão.
Mentira minha?
Tire a culpa da sua bolsa, jogue em cima do rapaz, cara paleozóico,
que só quer uma figura dócil para afirmar sua masculinidade, fazer bonito na frente dos outros
e poder dispensar as outras lindas e interessantes que aparecerem com a frase mais usada no mundo: “sabe o que é? Eu tenho namorada!”.
“Hã?”, você pergunta incrédula.
O canalha tem namorada,e você chora pelo babaca, diz que os homens são todos iguais,
nunca mais vai se apaixonar de novo se embola com namoros virtuais
e não entende porque só atrai gente problemática.
Você se reconheceu em alguma palavra até aqui? Sinto dizer, é a vida.
Mas como o mundo dá voltas e um dia é da caça e o outro do caçador,
uma certa hora todo esse material maravilhoso que você é se depara com uma pessoa incrível que te faz acreditar que amor não é marketing,
nem invenção de Shakespeare.
E você se sente abençoada, agradece aos céus por achar um cara tão sensível e vocês vivem felizes para sempre.
Felizes e apaixonados até constatarem o óbvio: ninguém é perfeito.
Aí meu bem, começa um outro discurso. Nem melhor nem pior, mas diferente.
É reclamação que não acaba, a velha saudade da vida de solteira que bate,
aquele defeito charmoso dele agora faz você ficar louca. Louca, não, louquíssima.
E você sente falta de acordar sozinha, sente falta do seu espaço,
sente falta das suas amigas e das noites divertidas e vazias que vocês passavam,
sente falta de não ter que ligar e dar explicação de onde você estava e o pior: começa aachar graça naquele cara que você nunca achou a menor graça.
Mentira minha? Pois é.
Solteiros, casados, juntados, a questão não é o estado civil, mas a sensação que volta-e-meia volta: nunca estamos satisfeitos.
A vida é feita de escolhas e em cada escolha há uma perda. E perder dói.
Se você se sente plenamente realizado todos os dias com alguém que você convive há muito tempo,parabéns, eu não conheço ninguém igual a você.
Porque não é fácil ficar sozinho, não é fácil viver com alguém, mesmo que seja o grande amor da sua vida.
Conviver é uma arte complicada. Haja tolerância, paciência e jogo de cintura para agüentar nossos defeitos e os do outro.
Viver sozinho também não é mole. Haja sabedoria para estar só e se sentir sempre empaz.
Mas como nada nunca é perfeito, penso que a única saída é aproveitar cada momento e aceitar a realidade como um presente.
Porque perfeito mesmo só a imperfeição. Que faz ter sentido até o que não se explica.